Vale a pena trocar dinheiro por tempo?

Vale a pena trocar dinheiro por tempo?

Por que correr atrás do dinheiro não traz mais felicidade — e o que trará.
Adam (nome fictício de um personagem real) era bom funcionário. Foi-lhe designado um projeto fácil que, segundo ele, poderia lhe render uma promoção e ascensão na empresa. Assumí-lo parecia claramente trivial: trabalhar muito, cumprir a missão e ganhar mais. Ele sabia que teria de dedicar várias horas a mais por dia e alguns fins de semana, o que significaria sacrificar tempo livre com sua jovem família. Ele sabia que os prazos seriam estressantes, como também seriam a gestão das pessoas e as expectativas envolvidas. Mas ele sabia também que no final seria recompensado e poderia recuperar o tempo perdido.
 
Exceto que ele não recebeu recompensa alguma. Embora seu projeto tenha sido um sucesso, a promoção e a ascensão que ele esperava foram para um colega de outro projeto, que também merecia. Depois de ser elogiado pelo trabalho bem-feito, Adam continuou a trabalhar em seu projeto bem-sucedido, mas não se sentia feliz. À noite, parado no trânsito engarrafado, ele pensava no que tinha acontecido, calculava todas as horas que tinha investido, e para quê?
 
Era impossível evitar sentir que desperdiçara — não que perdera — um tempo precioso.
Embora Adam esteja certo, a pesquisa mostra que mesmo que ele tivesse conseguido a promoção e a ascensão que esperava, teria se sentido igualmente descontente. Não importa qual o resultado de nossos esforços, todos nós nos sentimos cada vez mais presos ao tempo, e muitas vezes o que acreditamos que pode nos fazer felizes — as conquistas que lutamos tanto para conseguir — não faz. Aparentemente não nos devolvem os momentos com nossas famílias e amigos ou mais horas para nós mesmos.
 
Muitas evidências mostram que a sensação de dispor de tempo suficiente — “abundância de tempo” — está atualmente num nível muito baixo nos Estados Unidos. Quando minha equipe e eu analisamos uma pesquisa da Gallup Organization com 2,5 milhões de americanos, descobrimos que 80% dos respondentes não tinham tempo para executar todas as suas tarefas diárias. Essa situação é tão grave que poderia até ser descrita como “fome” — um fracasso cultural coletivo em gerir eficientemente nosso bem mais precioso, o tempo.
 
A falta de tempo está presente em todos os estratos econômicos, e seus efeitos são profundos. A pesquisa mostra que pessoas que sofrem de carência de tempo sentem níveis mais baixos de felicidade e níveis mais altos de ansiedade, depressão e estresse. Elas são menos alegres, riem menos, fazem menos exercícios físicos e são menos saudáveis. Demonstram baixa produtividade no trabalho e maior probabilidade de se divorciar. E na análise que fizemos com os dados da Gallup, minha equipe e eu descobrimos até que o estresse gerado pela falta de tempo tinha um efeito negativo mais forte sobre a felicidade do que estar desempregado.
 
Em nível mais amplo, a falta de tempo implica um custo direto de bilhões de dólares na produtividade das empresas todos os anos, e os custos secundários multiplicam várias vezes esse número. Os órgãos de saúde pública a consideram um dos principais fatores do aumento da obesidade. Os pesquisadores calculam que os custos da assistência de saúde causados pelo estresse do tempo chegam a US$ 48 bilhões por ano.
 
A ironia é que, apesar da percepção de que as pessoas atualmente trabalham mais horas, os dados revelam que a maioria de nós tem hoje mais tempo livre que jamais teve. Como podemos sentir tanta fome de tempo?
A resposta parece ser o dinheiro. Da mesma forma que Adam, muitos caem na armadilha de gastar tempo para ganhar dinheiro, porque acreditamos que dinheiro traz felicidade no longo prazo.
 
Pensamos o contrário. Na verdade, a pesquisa mostra consistentemente que as pessoas mais felizes utilizam seu dinheiro para comprar tempo. Meus colegas e eu realizamos uma pesquisa de correlação longitudinal com aproximadamente 100 mil trabalhadores do mundo todo. Os resultados provaram que as pessoas dispostas a abrir mão de dinheiro em troca de tempo livre — por exemplo, trabalhando menos horas ou pagando a terceiros para executarem as tarefas de que não gostam — e vivenciam relacionamentos sociais satisfatórios e carreira promissora são alegres e, em geral, mais felizes.
 
Se você for tomar alguma resolução este ano, que seja focar em escolhas baseadas no tempo — não no dinheiro. Não é fácil, o mundo todo e até nosso cérebro conspiram para colocarmos o dinheiro em primeiro lugar. Mas podemos conseguir, e neste artigo compartilho algumas estratégias valiosas que você deveria começar a aplicar agora mesmo.
 
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Fonte: https://hbrbr.uol.com.br/vale-a-pena-trocar-dinheiro-por-tempo/

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